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Como observar o adversário num combate de taekwondo e planear o próximo

14 min de leitura
Como observar o adversário num combate de taekwondo e planear o próximo
Neste artigo

Num combate de taekwondo, o que vale a pena observar no adversário é o que ele faz, e não a impressão que deixa:

  • com que perna à frente combate e quando troca de guarda;
  • a que distância quer estar;
  • para que usa a perna da frente;
  • se ataca primeiro ou espera para contra-atacar;
  • com que técnicas pontua de facto;
  • por onde anda no tapete;
  • que gam-jeom recebe;
  • o que muda de um assalto para o outro.

Tudo isto volta a fazer falta. Se perdeu nos quartos de final do regional, pode reencontrar o mesmo adversário no nacional ou num open, na mesma categoria de peso; no clube, o parceiro de treino de combate é o mesmo todas as semanas.

Meia dúzia de linhas escritas no próprio dia chegam para começar a preparar a desforra ou o treino de combate seguinte. Num caderno de adversários, cada linha descreve uma coisa que se pode voltar a ver — «troca de guarda antes de ir à cabeça» — e não um juízo sobre a pessoa.

Com que perna à frente — e quando troca?

Comece pela base. Escreva se o adversário combatia com a perna esquerda ou com a direita à frente e se em algum momento trocou de guarda. Se trocou, interessa o momento:

  • antes de atacar;
  • depois de sofrer pontos;
  • perto da linha;
  • nos últimos segundos do assalto.

Se anotar também a sua perna da frente, fica à vista se o combate foi em guarda aberta (um com a esquerda à frente, o outro com a direita) ou em guarda fechada. Anote que pontapés ele usava em cada uma dessas guardas.

Uma página não é um veredicto. Se no próximo combate ele aparecer com a outra perna à frente, é isso que se escreve.

Distância, centro e linha limite

Na página, responda a estas perguntas:

  • Queria combater longe, ao alcance do pontapé, ou perto?
  • Como entrava e como saía?
  • Ficava com o centro do tapete ou combatia junto à linha limite?
  • Quando chegava à linha, o que fazia — saía, deslizava ao longo dela, voltava para o centro?

Repare também no contrário — quando era ele a pressionar, quem acabava encostado à linha?

O que faz com a perna da frente?

Há quem use a perna da frente para travar quem entra, com o cut kick, e há quem a use para pontuar. Escreva qual das duas coisas viu e, sobretudo, o que vinha a seguir. Depois do cut kick, atacava logo, recuava ou ficava à espera?

O pé da frente, com protetor branco, encostado ao colete vermelho de um adversário que avança.
Se o adversário trava cada entrada com o cut kick, anote o que ele faz logo a seguir.

Quem ataca primeiro?

Se era o adversário quem esperava, interessa o tipo de contra-ataque:

  • Antecipado. «Pontapeou quando eu ainda estava a levantar o joelho.»
  • Simultâneo. «Atacámos os dois ao mesmo tempo e o dele entrou.»
  • Após o ataque. «Defendeu o meu pontapé e respondeu com um pontapé para trás.»

Anote também a que ataques seus respondia, e com quê — ao pontapé circular com a perna de trás, à entrada a direito, ao pontapé à cabeça.

O que deu pontos, de facto?

Convém separar o que o adversário fez daquilo que lhe deu pontos. Ver alguém muito ativo diz pouco; escreva antes os pontos que o adversário marcou e como os marcou:

  • que técnica (pontapé circular, pontapé para trás, pontapé rotativo, soco);
  • com que perna;
  • ao colete ou à cabeça;
  • em ataque ou em contra-ataque;
  • em que guarda estavam os dois nesse momento.

Anote em que momento vieram esses pontos em relação ao seu ataque: cedo, com o joelho ainda a subir, ou já depois do pontapé. E, do seu lado, escreva com que técnicas pontuou.

Pontapés à cabeça e curta distância

Os pontapés à cabeça merecem uma linha própria. De onde vinham — de uma troca de guarda, a seguir a um cut kick, de curta distância? E o que estava a fazer quando os sofreu?

Para a curta distância, outra linha. Quando ficavam perto, ele socava, dava pontapés curtos, empurrava ou agarrava? E qual dos dois saía dali primeiro, e como?

Assalto a assalto

Para cada assalto, anote:

  • quem pontuou primeiro;
  • como o adversário o começou;
  • o que mudou depois de ele ganhar ou perder um assalto;
  • o que fazia nos últimos segundos, quando ia à frente ou atrás no marcador;
  • os gam-jeom, os dele e os seus, e o motivo de cada um — passar a linha limite quando ele pressionava, por exemplo.

Junte as indicações que o treinador deu na cadeira entre assaltos, se ainda as tiver presentes.

Escreva o que ele fez, não o que acha que ele sentiu. «No último assalto, a perder, deixou de usar o cut kick e passou a atacar a direito» pode confirmar-se no próximo combate; uma frase sobre nervos ou cansaço, não.

O resultado escreve-se tal como foi anunciado — 2–1 em assaltos, por exemplo, ou os pontos, quando a prova usou o formato antigo. Reconstruir a pontuação ou citar artigos do regulamento não acrescenta nada à página, e as regras mudam com frequência.

E do seu lado?

Aqui, as perguntas são três:

  • Onde sofreu pontos, e a fazer o quê?
  • Em que ataque insistiu, mesmo sem dar nada?
  • Com que técnicas pontuou, ainda que uma só vez?

A primeira impressão à saída do tapete costuma ser a mais injusta — «não lhe consegui tocar». Se as notas mostrarem que, de perto, chegou a pontuar, a impressão estava errada, e é isso que interessa para a desforra.

O que mostram quatro estudos

Os quatro estudos observaram combates WT já disputados, por isso mostram associações e não causas.

Cristina Menescardi, então na Universidade Católica de Valência e na Universidade de Málaga, analisou com colegas 169 combates de um campeonato universitário nacional (Journal of Strength and Conditioning Research, 2015). Os vencedores fizeram menos ataques diretos e indiretos e mais contra-ataques do que os vencidos. Foi um só campeonato, no antigo formato de pontos somados, e quem vai à frente no marcador pode limitar-se a esperar, o que também explicaria os contra-ataques.

Já na Universidade de Valência, a mesma investigadora e colegas estudaram os 151 combates do torneio olímpico de Londres 2012 (Journal of Human Sport and Exercise, 2021). Cerca de 94% das ações ofensivas não valeram ponto nenhum. O estudo cobre um único torneio de elite, com as regras de 2012, em que os juízes de canto ainda avaliavam os toques na cabeça.

Minsoo Jeon, da Universidade Dankook, e Hyosung Lim, da Universidade de Anyang, na Coreia, analisaram 272 combates femininos do Campeonato do Mundo de 2022, em Guadalajara (BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, 2024). Vencedoras e vencidas não se distinguiram no número de pontapés, mas as vencedoras pontuaram mais vezes, ao tronco e à cabeça, em ataque e em contra-ataque. São só mulheres, num único Mundial.

Yun Ho Kim, da Universidade Sangmyung, em Seul, e colegas examinaram 382 combates do Campeonato do Mundo e do Grand Prix de 2023 (International Journal of Sports Science & Coaching, 2025). Mais de 70% dos combates terminaram em dois assaltos, e pontuar primeiro esteve fortemente associado a ganhar assaltos, nos homens e nas mulheres. Mas quem é mais forte costuma ser também quem pontua primeiro.

A conclusão para o caderno é nossa, não dos estudos. Mais do que contar pontapés, interessa anotar o que deu pontos, quem ataca primeiro e como o adversário começa cada assalto.

Quatro padrões frequentes e o que testar

Há padrões que se repetem em muitos adversários. Para quatro deles, ficam aqui ideias para experimentar com o treinador, primeiro nas raquetes e depois em combate livre supervisionado — hipóteses a testar, não respostas garantidas. Cada padrão abre com uma nota tal como costuma ficar escrita na página.

  • Cut kick a cada entrada. «Não consegui dar um passo em frente sem levar com o cut kick no colete.» Experimente provocar o cut kick com meio passo ou uma finta e atacar quando ele pousar a perna, ou então chegar perto antes de pontapear. Ponha isto de parte se o cut kick desaparecer e ele passar a esperar para contra-atacar, ou se, mesmo assim, for ele a chegar primeiro.
  • Quase só contra-ataques. «Raramente atacou primeiro; respondia aos meus ataques com o pontapé para trás ou com um rotativo.» Teste uma finta ou um pontapé a meio gás para provocar o contra-ataque e atacar quando esse contra-ataque acabar. Outra hipótese é substituir os ataques a direito com a perna de trás por pontapés mais rápidos com a perna da frente, que deixam ao adversário menos tempo para responder. Mude de plano se ele deixar de reagir à finta ou se o contra-ataque continuar a entrar.
  • Pressão até à linha limite. «Veio sempre para a frente e fui parar à linha limite mais do que uma vez.» Uma opção é responder cedo à entrada dele, com a sua própria perna da frente ou com um contra-ataque assim que ele chegar. Outra é sair em ângulo em vez de recuar a direito. O sinal para largar a ideia é ir parar à linha na mesma, ou começar a receber gam-jeom.
  • Pontapés à cabeça preparados. «Foi à cabeça logo a seguir a um cut kick, quando baixei a mão de trás.» A proposta é ver na troca de guarda ou no cut kick dele o sinal para não deixar cair a mão de trás ao levantar o joelho, ou para atacar no momento em que ele trocar de guarda. Deixe a ideia de lado se o pontapé à cabeça passar a vir de outra preparação, ou se der por si a atacar cada vez menos.

Para o próximo combate, escolha uma ou duas destas ideias, e só para padrões que as notas mostrem. Um só combate dá uma pista sobre o adversário, não um rótulo. No exemplo inventado mais abaixo, as duas ideias saem do primeiro padrão.

O que escrever na página

Recomendamos que as notas de cada combate terminem com as respostas a três perguntas: o que resultou, o que não resultou e o que fazer para a próxima. Em nosso entender, são as coisas mais importantes a anotar em qualquer desporto de combate ou de raquete. Os pormenores de que as respostas dependem ficam nos dois primeiros campos, o combate e o adversário. Nenhum dos quatro estudos verificou se tomar notas ajuda a ganhar combates de taekwondo, e nenhum diz como um adversário em concreto vai combater.

  • O combate. Onde foi (prova e eliminatória, ou treino de combate no clube), contra quem, em que categoria de peso, a base de cada um, o resultado anunciado e de onde vem cada informação — memória, vídeo, treinador.
  • O adversário. Perna da frente e trocas de guarda, distância preferida, centro ou linha, o que faz junto à linha limite; com que ataca, como contra-ataca, com que pontuou (técnica, perna, colete ou cabeça), de onde vinham os pontapés à cabeça, o que faz de perto; quem pontuou primeiro em cada assalto e o que mudou; gam-jeom.
  • O que resultou. O que me deu pontos, nem que fosse uma vez, e o que travou os ataques dele.
  • O que não resultou. Ataques que repeti em vão, momentos em que sofri pontos.
  • O que fazer para a próxima. Duas mudanças a experimentar, cada uma com o sinal que manda largá-la.

Normalmente, uma ou duas mudanças bastam. Um adversário ou outro pode justificar mais, mas mudanças em excesso tornam o plano complicado antes ainda do primeiro pontapé.

Um campo vazio ou um «não tenho a certeza» valem mais do que um número inventado; contagens e percentagens só entram se foram mesmo contadas. Duas ou três repetições fazem uma hipótese, não um hábito confirmado, e o que a contraria escreve-se logo ao lado. Havendo gravação, confirme nela as observações em que o plano vai assentar.

O artigo sobre o que a memória guarda depois de competir dá as razões para escrever cedo e mostra porque não há uma hora certa a partir da qual tudo se apaga. Num esboço do tapete em papel, como num pin colocado no esquema, o que conta é a legenda com o que aconteceu naquele sítio; uma marca sem texto não diz nada a ninguém daqui a um mês.

Atleta de taekwondo, de dobok branco, a escrever num caderno apoiado no joelho, com um colete e um capacete vermelhos pousados no tapete ao lado.
Com o combate ainda fresco na memória, anote os pontos que sofreu e duas coisas a experimentar da próxima vez.

Um combate inventado, do princípio ao fim

Combate, nomes e notas são inventados; servem apenas para mostrar uma página preenchida e não vêm de utilizadores da aplicação nem dos estudos acima.

O combate: «Quartos de final do regional, contra o Jaime, à melhor de três assaltos. Só o tinha defrontado uma vez, num treino conjunto dos nossos clubes. Ele combate com a perna esquerda à frente e eu com a direita, por isso guarda aberta. Escrevo de memória e junto o que o treinador foi dizendo na cadeira; a Raquel, do meu clube, filmou com o telemóvel o segundo e o terceiro assaltos. Não contei pontapés. Resultado anunciado: vitória do Jaime por 2–1 em assaltos.»

O adversário: «1.º assalto (dele): sempre que eu dava um passo em frente, recebia-me com um cut kick ao colete, com a perna da frente; quando ataquei a direito com o pontapé circular da perna de trás, respondeu com um pontapé para trás e pontuou. 3.º assalto (dele): pontuou primeiro, com um pontapé à cabeça depois de trocar de guarda, quando eu baixei a mão de trás ao levantar o joelho. Encostei-o à linha limite, mas não saiu — deslizou ao longo dela e voltou para o centro. Até ao fim do assalto manteve-me à distância com cut kicks.»

O que resultou: «2.º assalto (meu): cheguei perto antes de pontapear e pontuei com socos e com um pontapé curto ao colete; aí o cut kick não me travou, portanto afinal é possível chegar-lhe.»

O que não resultou: «Insisti em atacar a direito com a perna de trás e fui sempre parar ao pontapé para trás com que ele respondia. Baixo a mão de trás quando levanto o joelho.»

Para a próxima: «Em vez de atacar a direito, dar meio passo para provocar o cut kick e atacar quando a perna dele descer. Largo esta ideia se ele deixar de usar o cut kick e passar só a esperar para responder com o pontapé para trás, ou se o pontapé para trás continuar a entrar quando ataco depois do cut kick. Outra ideia: chegar à curta distância logo no início de cada assalto, como fiz no segundo. Largo também esta se ele se afastar ao longo da linha antes de eu chegar perto, ou se, de perto, eu começar a receber gam-jeom por empurrar ou agarrar.»

Antes do próximo combate, leve as duas mudanças ao treinador e discuta-as com ele. Treine-as nas raquetes e em combate livre, com ele a acompanhar e um colega a imitar o cut kick e o pontapé para trás de resposta, e acrescente um exercício para manter a mão de trás em cima ao levantar o joelho.

Depois do combate, junte à página o que aconteceu. Uma página feita de memória mostra para onde olhar; não diz com que frequência as coisas se vão repetir.

Antes e durante a desforra

O primeiro minuto da desforra serve para confirmar a página. Quando avança para o adversário, o cut kick dele continua a aparecer? Ele continua à espera de uma entrada a direito para responder com o pontapé para trás?

Há razões para pôr o plano de parte — o adversário mudou de categoria de peso, aparece com a outra perna à frente ou simplesmente combate de outra forma. Do seu lado, basta que a execução não saia como no treino para que o resultado das duas mudanças já não diga nada. Nesses casos, faça outro plano em vez de teimar no primeiro.

Com qualquer adversário, um padrão escrito pode dar um exercício concreto nas raquetes ou uma pergunta para o próximo combate livre. Quando já tiver páginas de vários adversários, veja que erros seus aparecem em todas.

Resta a pergunta de fundo: escrever ajuda a render mais? O artigo sobre o que a investigação diz da reflexão no desporto mostra até onde chegam as provas — e porque não chegam para atribuir às notas, sozinhas, uma melhoria dos resultados.

No OpponentBook, o taekwondo tem um esquema da área de combate, o octógono, onde os pins podem ficar em qualquer ponto; cada um leva um tipo — «Resultou», «Não resultou», «Perigo» ou «Tendência» — e uma nota. No perfil do adversário há campos opcionais para o «Estilo» (WT ou ITF), a «Categoria de peso», o «Cinto / graduação», a «Base», com as opções «Esquerda à frente», «Direita à frente» e «Alterna», e as «Técnicas de pontuação do adversário», como «Cut kick», «Pontapé para trás (dwi chagi)» ou «Socos». Pode ainda juntar etiquetas de estilo como «Contra-atacante de pontapé» ou «Controla com o cut kick». O caderno completo é gratuito.

Os registos que sincroniza vão para o armazenamento que ligou à aplicação, e não existe cópia do caderno na base de dados de contas do OpponentBook. Num pedido de IA feito por si, o conteúdo necessário segue para o fornecedor de IA através de um servidor do OpponentBook. Com a encriptação ponta a ponta opcional ativa, o fornecedor de armazenamento não consegue ler os registos encriptados; as fotografias e os vídeos, tal como os metadados de ficheiros que o fornecedor de armazenamento consegue ver, ficam fora dessa proteção. Os pormenores destes limites estão no artigo sobre o que fica guardado e onde.

Ainda hoje, pense no último combate que fez, em prova ou no treino. Comece por anotar que pontos sofreu e com que técnica; depois, as vezes em que avançou para o adversário e o que ele fazia. Por fim, escreva o que resultou, o que não resultou e as duas coisas que vai experimentar no próximo combate.

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Um caderno que é só seu

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