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Como estudar um adversário de esgrima (incluindo a si próprio)

3 min de leitura

A esgrima é um mundo pequeno. Bastam algumas épocas de competição para a região deixar de produzir desconhecidos: as poules enchem-se de nomes que conhece, de estilos que já enfrentou e — sendo honesto — de derrotas que já repetiu.

Este artigo é um sistema concreto para estudar esse mundo, construído a partir dos hábitos de esgrimistas que mantêm cadernos. Não é preciso nenhuma aplicação (embora façamos uma). Basta uma página por esgrimista e alguma disciplina.

O que escrever sobre um adversário

Nada de redações. Fragmentos estruturados valem mais do que prosa, porque vão ser lidos na câmara de chamada, com a máscara debaixo do braço. Para cada adversário, quatro blocos curtos:

O retrato. Mão, punho, arma, primeira intenção habitual. Aquilo que não muda: «Canhota, punho francês, espada. Começa todos os assaltos a medir — o primeiro toque costuma chegar tarde.»

O que marca contra ela. Específico e situacional: «Segunda intenção sobre o contra-ataque dela — compromete-se por completo assim que lê um ataque, e a linha por trás fica aberta.»

O que marca contra si. A coluna desconfortável — e a mais valiosa: «As duas derrotas vieram do mesmo toque em linha baixa nos três últimos toques. Deixo de mexer os pés quando estou cansado; ela sabe.»

Da próxima vez. Uma frase, no imperativo, escrita para uma versão nervosa de si: «Não abrir longo nos três primeiros toques. Obrigá-la a tomar a iniciativa.»

Onde aconteceu também conta

As notas de esgrima têm uma dimensão espacial que a maioria dos desportos não impõe. Onde, na pista, aconteceram os toques? Contra o mesmo adversário, os toques agrupam-se: os dela perto do seu fundo de pista, enquanto recua; os seus a meio, onde está confortável. Uma marca rápida num diagrama da pista — os dela aqui, os seus ali — vale um parágrafo de descrição e, ao fim de vários assaltos, essas marcas tornam-se o mapa da relação inteira.

(É exatamente por isto que a anotação no OpponentBook desenha uma pista a sério, com as zonas de aviso no sítio certo, em vez de oferecer um campo de texto. Mas um diagrama impresso e um lápis são a versão um da mesma ideia.)

Quando escrever

A disciplina está no momento, não na quantidade:

  1. Até uma hora depois do assalto — três fragmentos no mínimo, enquanto os detalhes estão vivos. O comboio de regresso a casa é o lugar clássico.
  2. Na véspera da prova — ler, não escrever. Puxar as páginas de todos os nomes das suas poules. Este é o retorno de todo o sistema, e demora dez minutos.
  3. Depois de ler, anotar que leu. Ao longo de uma época, compare o seu registo quando entrou preparado com o registo quando entrou a frio. Esse número ou justifica o hábito ou acaba com ele — e ambos os desfechos são úteis. (O OpponentBook segue esta correlação automaticamente; no papel, um visto na margem serve.)

O dividendo de se estudar a si próprio

Ao fim de uma época, o livro inverte-se em silêncio. Percorra as colunas «o que marca contra si» de dez adversários e vai encontrar as suas fraquezas reais — não as que julga ter, mas as que aparecem em caligrafias diferentes contra nomes diferentes. A distância que se desfaz com o cansaço. A mesma parada puxada para o mesmo lado. Um primeiro toque previsível.

Os seus adversários já mantêm esta lista sobre si, informalmente, de cabeça. Mais vale ficar com a melhor cópia.


O OpponentBook é um livro de adversários privado para esgrimistas e outros atletas de desportos individuais — diagramas de pista, pins, vídeo e briefings de pré-competição, guardados no seu próprio armazenamento na nuvem. O livro completo é gratuito.

Um livro que é só seu

O OpponentBook é gratuito para sempre, no seu próprio armazenamento.

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